Mestre em Artes Cênicas, ela está em cartaz no Rio, estreia filme em agosto e comemora o sucesso do projeto Teatro na Zona Norte.
A atriz e pedagoga Graciana Valladares vive um momento de grande destaque na carreira. Com 24 anos de profissão e um prêmio APTR no currículo, ela divide o seu tempo entre o teatro, o cinema e projetos sociais no subúrbio carioca. Atualmente, a artista apresenta a peça Margaridas no Sesc Copacabana, prepara a estreia de um filme internacional e lidera o projeto Teatro na Zona Norte (TZN).
Com formação pela UNIRIO e pela Escola de Teatro Martins Pena, Graciana coloca a educação no centro de tudo o que faz, usando a sua experiência para valorizar a cultura negra e a arte da periferia. Diferente de muitos artistas, o primeiro sonho de Graciana não foram os palcos, mas a sala de aula.
A paixão pelo ensino começou cedo e hoje direciona todos os seus projetos artísticos e sociais. “Nunca me imaginei sendo atriz. Professora, sim. Desde criança, quando brincava de escolinha, eu já queria dar aula. Depois, descobri que era possível unir a arte e a educação, e isso fez todo sentido para mim. A educação sempre esteve presente na minha trajetória”, revela a atriz. Essa escolha foi inspirada por profissionais que mudaram a sua visão de mundo ainda na juventude.
“Tenho dois professores que me inspiram desde a adolescência: Jorge Roberto Maia e Francisco Nascimento. Eles desenvolviam um projeto na escola que ia muito além do ensino tradicional. Por meio da arte e do teatro, ajudavam os alunos a desenvolverem o autoconhecimento, a autoestima e outras habilidades importantes para a vida. Eu vivi essa experiência como adolescente e fui profundamente transformada por ela. Até hoje, eles são referências de educadores e tiveram um papel fundamental na profissional que me tornei”, destaca Graciana.Essa ligação com o ensino aparece de forma clara na peça Margaridas, em cartaz no Sesc Copacabana até o dia 2 de agosto. O espetáculo fala exatamente sobre a importância das mulheres na educação ao longo da história.
No palco, Graciana realiza o sonho de dividir a cena com a professora Ana Aschar, que foi sua professora na faculdade e sua grande inspiração para seguir a docência. Além do trabalho nas salas de aula e nos palcos, Graciana também brilha no cinema. Depois de atuar no longa Medida Provisória, ela agora se prepara para o lançamento de MOWA. O filme, dirigido por Pedro Vaz, será lançado em agosto, em um festival internacional de cinema em São Paulo.
No exterior, a atriz já levou o teatro brasileiro para países como China, Portugal e Cabo Verde.O compromisso com o ensino ganha ainda mais força com o Teatro na Zona Norte (TZN), projeto que completa sete anos. O TZN não é apenas um curso de teatro, mas um espaço de pesquisa pedagógica que atende crianças e jovens de comunidades do Rio, ajudando a fortalecer a identidade e o orgulho de viver na periferia.
O projeto é amplamente reconhecido pelo seu impacto educativo e cultural. Recentemente, o TZN ganhou um prêmio especial pela pesquisa da peça Estrela de Madureira, que reconta a história e homenageia os moradores do bairro. Para Graciana, unir arte e educação é também um ato político: “Ocupar os palcos e as telas vai muito além do aplauso. É uma forma de garantir memória, representatividade e futuro para os corpos negros e periféricos”, conclui.
Fotos: Terciane Mello
















